sábado, 4 de agosto de 2007

Skin Cut

Meus cabelos ondulados,
Minha face de boneca de porcelana,
Meu coração pálido de emoções,
Cheio de palavras vazias.

Meu sangue de pedras vermelho
Que me cortas por dentro.
Circulação frenética de adrenalina.
Peso do duro crânio.


Minha dor latejante.
Meu sonho de amor.
Minha voz perdida
D'uma garganta inflamada


Cortas-me as palavras.
Beijas-me com lábios de navalha,
Cravas o meu coração com dedos aguçados,
Fazes amor comigo como se fodesses com uma puta!


Olhas-me nos olhos e beijas-me na testa
Soltas um sorriso e dizes que me adoras.
As tuas palavras soam a traição
Bem como aquele orgasmo fingido.


Mordes-me no lábio(agora ensanguentado)
Dizendo que mo queres chupar.
Falas palavras distorcidas.
Fizeste um pacto de juras de amor eterno.


Lambuzaste no meu tenro corpo.
Chamas-me de "tua ninfa".
Trazes empunhado um punhal.
Queres que pactue aquele maldito sentimento...


Não quero ter-te só para me foderes!
Não quero ser usada para os teus rituais!
Quero que me ames tal como te amei.
Quero ter-te para sempre,meu eterno amado.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

No time to sleep

O vazio deste meu canto espalhou-se juntamente com os vidros do meu espelho.
Que raio de imagem é aquela que está ali reflectida à minha frente?
Não conheço aquele rosto.
Vejo muita luz (quero descansar.estou cheia de sono!).
"Fechem o raio da janela!"-digo eu.
Estou farta desta luz que me fere os olhos.
Quero fechar-me nos meus segredos,beber as minhas palavras,mergulhar no mundo dos sonhos e ver que não estou ali (sozinha).
Fecho os olhos (com esperanças de adormecer e ter o tão desejado descanso) mas ouço o tic tac tic tac do meu relógio, os passos na madeira do chão da sala...aquilo incomoda-me.
"Que raiva!
Estou farta de barulho.Farta!
Quero dormir!Será que não posso? "
Bato a porta do meu quarto com força.
Deito-me mas não consigo dormir.
Ando às voltas (na cama), luto com a almofada como se ela fosse a culpada daquela minha inquietude.
Levanto-me , bem devagar -( andando em bicos de pés para não me magoar muito nos vidros espalhados pelo chão), escoriando os meus pés com pequenos golpes, desço as escadas em direcção ao bar e tiro da prateleira uma garrafa de wisky.
De regresso ao quarto reparo nas marcas de sangue que deixei pelo caminho.
Bebi meia garrafa e fiquei meio desmaiada em cima da cama, com a garrafa na mão.
Ouço, ao longe, vozes familiares e de súbito um mexer inquietantes na fechadura da porta do meu quarto.Eram os meus pais.
Quando me viram ensaguentada, com uma garrafa de wisky na mão e sem sentidos pensaram que me tinha suicidado.
Foi o maior susto das suas vidas!